Não sou exatamente um otimista e não faço a linha poliana, pelo contrário, tenho até uma visão bastante crítica das coisas, mas sou obrigado a admitir que considero a época atual a melhor que o mundo já viu. Apesar de tudo, acho difícil não admitir que o ser humano evoluiu, não só materialmente, mas também moral e espiritualmente. Nossa vida é que é muito curta para podermos avaliar essa evolução, que se dá como na astrologia, em ciclos, numa espiral ascendente.
Sei que muita gente vai discordar, mesmo porque quando falo isso quem me conhece me olha como se eu tivesse pirado de vez. Claro que há exceções, mas percebo uma relação diretamente proporcional entre idade e pessimismo: quanto mais velha a pessoa, mais negativa é sua opinião. Às vezes, a pessoa pensa assim porque compara um tempo, quando era jovem e tinha muitos sonhos, com os dias atuais, quando as utopias ficaram para trás e ela tem muito mais passado do que futuro pe frente.
E tome argumentos do tipo, o mundo está perdido, é muito violento e antigamente não era assim. De fato, antigamente não era assim. Há cerca de 150 anos, toda família abastada podia ter seres humanos considerados inferiores acorrentados no porão. Ou vamos ignorar que a escravidão só foi abolida no mundo há pouco mais de 150 anos e no Brasil só acabou oficialmente em 1888, embora na prática tenha continuado por muitos anos.
Antigamente não era assim. No passado bastante recente, a lei protegia um homem que assassinasse uma mulher por “legítima defesa da honra”. Para se ter uma ideia, foi só em 2021 que o Supremo Tribunal Federal considerou essa tese inconstitucional e incompatível com os princípios da dignidade humana.
Antigamente não era assim. Um século atrás, a expectativa média de vida no mundo era de 35 anos, hoje é de mais de 70. Aqui é necessário uma ressalva: os números refletem uma média global e é claro que em alguns países a expectativa de vida era bem maior, como no Canadá, onde se vivia mais de 60 anos.
Antigamente não era assim. Nas guerras da antiguidade, o território inimigo era invadido, os soldados eram mortos, as mulheres eram violentadas e muitos jovens eram feitos escravos. As astrocidades eram consideradas normais, não havia normas e conceitos como de crime de guerra não eram sequer cogitados.
Claro que que hoje existe crueldade e que o ser humano ainda está muito longe de depurar sua natureza e se tornar menos selvagem, mas houve progressos e não temos nada parecido com os horrores da Segunda GuerraMundial, que durou 6 anos e matou cerca de 80 milhões de pessoas.
Na guerra da Ucrânia, que já dura 4 anos, morreram cerca de 1 milhão de pessoas entre civis e militares, embora os números sejam ainda imprecisos. Um horror, claro, mas em escala menor do que há 80 anos. A diferença é que é tudo just in time, os meios de comunicação mostram tudo na hora, geralmente por um viés tendencioso e sensacionalista.
A mídia realça sempre o negativo justamente porque sabe que o ser humano ainda é atraído por sangue fresco. Basta ver o que acontece quando alguém está na estrada e passa por um acidente, ou quando vê no noticiário as imagens de um acidente aéreo que acab ou de acontecer.
Claro, não é todo mundo, mas a curiosidade mórbida faz com que a pessoa seja atraída por esse tipo de coisa, talvez até por que se sinta aliviada por não ter sido ela a vítima. De qualquer forma, quando a pessoa é bombardeada incessantemente por ess tipo de informação, ela cria uma percepção distorcida da realidade
Não podemos negar, contudo, que vivemos uma época de limites e que a humanidade está diante de uma crise que ela ajudou a agravar. Há questões que precisam ser enfrentadas urgentemente, como as mudanças climáticas, a degradação do meio-ambiente, o gerenciamento dos recursos, o risco de novas pandemias etc.
Seguimos evoluindo, agora numa corrida contra o tempo.
por Roberto Vendramini
